sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Filhas da fogueira, poema de uma geni.

A inquisição não acabou, ainda há fogo por essas bandas.
Corre, menina.
Esconda a benzedeira, a curandeira, a macumbeira e toda eira.
Esconda logo que essa culpa ainda vai te manchar.

No túmulo de si jaz educada, orientada e adoçada por mel que queima. 
Jaz calada, oprimida e amaldiçoada.
Queima na boca de comer e na de cozir.
Aqui queima moça estúpida que brigou com a irmã pra virar prêmio de inquisidor. 


Machista. Moralista. Muito ista. 
Aqui jaz descendente de fogueira.
História escrita de sangue e clamor. 
E você aí, se manchando. 
Manchando
Manchando

Este poema foi escrito por uma filha de Lilith, Hécade, Géia, Saravasti, Nanã, Nídaba, Deméter, Isis, Ceres e Eva. Mulher, branca, feminista e exausta.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quando as mulheres perderem a paciência, por uma GENI.





Quando as mulheres perderem a paciência

as meninas e os meninos serão livres pra escolherem seus brinquedos e suas roupas
e mais ainda, pra amarem a cor que quiserem sem nenhuma interferência



Quando as mulheres perderem a paciência
nenhuma mulher será obrigada a ter cabelo liso ou a pesar poucos quilos

a comida será a mais saborosa e os cabelos livres farão festa
Seu corpo será só seu, sem qualquer exigência

Quando as mulheres perderem a paciência.


Ruas e casas serão lugares livres de qualquer opressão

onde mulheres e homens viverão tranquilamente, sem qualquer tipo de violência
serão lugares seguros e de independência

Quando as mulheres perderem a paciência

a cozinha será lugar dela e dele

o trabalho será lugar dele e dela
e todos os outros espaços também, sem nenhuma concorrência

Quando as mulheres perderem a paciência

Quando as mulheres perderem a paciência

a televisão mostrará seu rosto e não sua bunda ou seu peito
a mídia aprenderá a tratá-la com respeito
e programas que fizerem o contrário não darão mais audiência

A mulher será mulher, e não um objeto

será detentora do prazer e gozará sem culpa
Ganhará salários justos e terá autosuficiência

Quando as mulheres perderem a paciência


Quando as mulheres perderem a paciência

todos os dias serão dias de festa
@s companheir@s caminharão lado a lado
e junt@s dançarão a música da resistência!

Nádia Pinheiro.


* Inspirado no poema "Quando os trabalhadores perderem a paciência", de Mauro Iasi.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Viva as Genis!

Inaugurando o nosso blog!

Poética Feminista,
por Diana Melo


Do direito magistrado, católico,
com manifestações de apreço ao Bispo de Guarulhos
e à sua estúpida fala sobre vaginas e canetas
Do direito que pára 
Quero antes o Direito das Madalenas
O Direito feito no meio do amor orgasticamente
Não quero mais saber do Direito que não é libertação.

Estou farta do direito comedido
Do direito bem comportado
e vai averiguar o significado que dá a cartilha do conservadorismo
De resto não é Direito.
Será tabela matemática, espartilho positivista que se coloca como letra fria
Que entra como um punhal na carne de minhas companheiras... e as recorta

Cem formas com modelos para mulheres honestas para agradar a moral e os bons costumes.

O Direito das mulheres que dançam, riem e trepam