sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Filhas da fogueira, poema de uma geni.

A inquisição não acabou, ainda há fogo por essas bandas.
Corre, menina.
Esconda a benzedeira, a curandeira, a macumbeira e toda eira.
Esconda logo que essa culpa ainda vai te manchar.

No túmulo de si jaz educada, orientada e adoçada por mel que queima. 
Jaz calada, oprimida e amaldiçoada.
Queima na boca de comer e na de cozir.
Aqui queima moça estúpida que brigou com a irmã pra virar prêmio de inquisidor. 


Machista. Moralista. Muito ista. 
Aqui jaz descendente de fogueira.
História escrita de sangue e clamor. 
E você aí, se manchando. 
Manchando
Manchando

Este poema foi escrito por uma filha de Lilith, Hécade, Géia, Saravasti, Nanã, Nídaba, Deméter, Isis, Ceres e Eva. Mulher, branca, feminista e exausta.

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